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A Pequena Reikiana

Um blog de uma reikiana em constante aprendizagem...

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"Wild Wild Country": A minha modesta opinião

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Confesso que nunca dei muita importância aos livros de Osho. Via-os nas livrarias mas se peguei nalgum alguma vez não me lembro... É engraçado que, apesar de conhecer o nome, por ver em vários sites e imagens com frases, nunca foi algo que me tenha chamado a atenção.

 

Até recentemente quando, numa das minhas várias pesquisas, me deparei com uma citação de Osho que gostei. Fiz uma imagem com aquela mensagem e coloquei no Facebook mas, ao pesquisar mais citações do mesmo autor, deparei-me com algumas informações que me deixaram curiosa. Numa delas, estava o trailer de um documentário da Netflix, "Wild Wild Country" que, supostamente, contava a história de Osho. Claro que, imediatamente, fui ver a série.

 

Não tendo eu qualquer conhecimento de quem era Osho, tudo para mim foi uma novidade. Confesso que esperava mais da série, principalmente sobre a vida de Osho, como tudo começou, como surgiu o "culto" a esta personalidade na Índia, ou seja, mais sobre a vida dele propriamente dita. Pode ser que numa próxima temporada falem disso... (deixo aqui o pedido...).

 

Porque a série foca principalmente a ida da comunidade que se tinha criado na Índia para os Estados Unidos da América, nos anos 80. Mas sinto que falta muita informação pelo meio que podia ajudar quem, como eu, desconhece a história de Bhagwan Shree Rajneesh, que mais tarde ficou conhecido como Osho, e que pode ficar com uma ideia errada de tudo o que se passou. Sinto que faltam ali muitas explicações.

 

Isto porque ao longo dos episódios, fui tendo sentimentos contraditórios. Se, por vezes, após assistir um episódio, ficava entusiasmada com o que tinha visto e com as ideias apresentadas, à medida que ia vendo mais episódios comecei a ficar "desiludida" com o que via.

 

Na minha modesta opinião e, como já referi, tendo apenas como conhecimento o que vi do documentário da Netflix, Osho foi, ou acabou por se tornar, numa forma de angariar dinheiro. É certo que apesar de ele se assumir como um "guru" e de as pessoas seguirem os seus ensinamentos, conselhos e meditações, ele também se assumia como capitalista e, ao contrário de tantas religiões e filosofias, ele aceitava o dinheiro como algo que era necessário. Mas, para mim, exagerou no necessário...

 

Ter relógios de diamantes, ter cerca de 20 Rolls Royce, viver em grandes mansões com tudo o que de melhor havia, não é propriamente aceitar o dinheiro, mas sim aproveitar-se do dinheiro das milhares de pessoas que o procuravam pelas suas ideias diferentes, pela felicidade e liberdade que a comunidade que criou, tanto na Índia como depois nos EUA, dava às pessoas que se sentiam presas e fartas da sua vida quotidiana.

 

A meu ver, o que começou realmente como algo espiritual e de ajuda ao próximo e de transmissão de uma forma de pensar diferente, tornou-se, rapidamente, num culto e numa máquina de fazer dinheiro. Principalmente porque a maioria das pessoas que o procuravam e seguiam, tinham bastante poder económico, que lhe permitiram fazer o que bem queria e comprar tudo o que desejava, chegando mesmo ao ponto de ele já nem sequer aparecer e a comunidade continuar a crescer...

 

A mim, não me mete confusão a sua filosofia, as suas ideias sobre o amor livre, as suas meditações diferentes e polémicas ou a sua forma de ver a vida. Não me mete confusão nenhuma porque acho que cada um é livre de pensar e de agir da forma que bem entender. O que me mete confusão é perceber que, ele, ou a sua secretária, Ma Anand Sheela - fica difícil de perceber qual dos dois - se aproveitaram de pessoas e do mediatismo que ganharam. E usaram isso das piores maneiras possíveis.

 

Para mim, ficou claro que a comunidade de Rajneeshpuram, criada no estado do Oregon, nos EUA, já não era uma simples comunidade de pessoas, mas sim uma seita. Uma seita que se aproveitou de uma vila pacata e que tentou, das piores formas possíveis, controlar aquela região.

 

Se quem começou a "guerra" entre os sannyasins e a população local foi a própria população? Talvez. Se a população tivesse aceitado de outra forma os sannyasins no Oregon tudo teria sido diferente? Talvez. Nunca saberemos. O que sabemos é que por um incidente, a comunidade tornou-se diferente. Totalmente diferente.

 

Uma comunidade religiosa que é obrigada a usar apenas roupas de certa cor, uma comunidade religiosa que usa armas, e muitas armas, como forma de retaliação, uma comunidade religiosa que usa milhares de sem abrigos para seu benefício próprio, que os droga e que depois, quando já não interessam, os despeja novamente nas ruas, não é para mim uma comunidade religiosa. É algo que vai além de uma seita, é algo que transcende a minha compreensão.

 

Este é um pequeno exemplo do que se passou e não me quero alongar muito para não colocar demasiados spoilers e influenciar a opinião de cada um. Acho que o melhor é mesmo assistir e tirar as próprias conclusões. Mas sinto que é necessário dar a conhecer este documentário porque há muita gente que simplesmente compra os livros de Osho, lê, aceita aquelas ideias e defende-as vivamente, mas não faz a mínima ideia da história que esteve por detrás daquilo tudo, uma parte da história que raramente é contada. E é importante saber de tudo para se poder ter uma opinião formada. Porque nem tudo o que parece é... e isso fica bem claro após ver este documentário.

 

No final, Osho acaba por se virar contra a secretária que o acompanhou e que fez tudo durante anos. Se é verdade que ele não sabia de nada, não sabia dos crimes, dos atentados de homicídio que se passaram dentro e fora da comunidade e de tudo o que ela fez? Duvido. Honestamente, duvido muito. E duvido ainda mais quando Osho, prestes a ser preso, decide fugir dos EUA com meia dúzia de fiéis seguidores, fazendo exatamente o mesmo que criticou dias antes a sua secretária de fazer.

 

É tudo muito confuso, talvez haja informações e detalhes que nunca se saberão concretamente, mas, após ver o documentário, confesso que não fiquei com uma boa ideia de Osho. Se irei comprar algum livro? Talvez não, afinal, para quem está a ir o dinheiro dessas obras?

 

Mas talvez pegue, um dia destes, num livro, e dê uma vista de olhos, porque admito que alguns ensinamentos fazem sentido sim e temos de saber distinguir que todos nós temos um lado positivo e outro menos positivo. Por vezes, o lado menos positivo sobrepõe-se, o que a meu ver aconteceu neste caso por vaidade, mediatismo, egocentrismo e vontade de ter cada vez mais poder económico, e não só, mas é importante ver e não menosprezar o que de bom Osho veio trazer a muita gente.

 

Por isso, aqui vos deixo o meu pequeno comentário e lanço o desafio para que vejam e depois me digam as vossas opiniões sobre o assunto.

 

 

 

 

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