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A Pequena Reikiana

Um blog de uma reikiana em constante aprendizagem...

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O Reiki e a religião

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Antes de mais, importa frisar. Reiki não tem nada a ver com religião. Rigorosamente nada. Mas como continua a haver muita confusão sobre este assunto penso ser importante esclarecer alguns pontos.

 

Apesar de o Reiki acabar por estar associado a culturas orientais, já que o seu fundador, Mikao Usui era japonês, o Reiki por si só é apenas uma técnica e, volto a repetir para não haver dúvidas, nada tem a ver com religião. Se alguém lhe falou em Reiki e o misturou com santos, religião, crenças ou algo do género, garanto-vos: não é Reiki.

 

Há alguns supostos "mestres" que fazem uma "curiosa" ligação entre o Reiki e o Cristianismo, aproveitando-se do facto de no Reiki se usar a imposição de mãos para levarem a crer as pessoas que era isso que Jesus fazia. Mas, a meu ver, isto apenas serve para atrair os cristãos para esta prática e nada mais que isso. Até porque o Cristianismo, na sua maioria, vê mal as terapias holísticas e, como tal, esta é uma forma de "contornar" isso.

 

Um terapeuta ou mestre de Reiki até pode ter a sua crença ou filosofia de vida mas não deve nunca deixar passar isso para o seu paciente. Até porque não há qualquer necessidade. Quando vamos ao médico, não perguntamos se ele é cristão, budista, testemunha de Jeová ou seja o que for. Simplesmente vamos. No Reiki passa-se exatamente o mesmo, ou pelo menos, deveria passar-se.

 

O Reiki não depende nem precisa de qualquer religião. E não é necessário que terapeuta ou cliente abandone as suas crenças para praticar ou receber Reiki porque a energia não "olha" a ideologias ou crenças. É simples energia que flui nos seres humanos e, no fundo, os seres humanos são todos iguais.

 

Vou-me focar mais no Cristianismo já que é a religião predominante em Portugal. Mas poderia falar de outras.

 

Há uns anos, houve alguma controvérsia por causa de um suposto texto de um espanhol que alegava que os símbolos de Reiki eram símbolos para atrair ou chamar demónios. Esse texto, que acabou por se espalhar pelo mundo e dar força aos que criticavam esta prática, acabou por cair no esquecimento e até o próprio Vaticano não se pronuncia atualmente claramente sobre o assunto, deixando os seus crentes escolherem o que pretendem fazer.

 

Aliás, nem vejo necessidade alguma de a Igreja Católica se pronunciar sobre o assunto, já que, volto a frisar, o Reiki não é uma religião nem invoca demónio (haja paciência...). Portanto, este acaba por ser um não assunto.

 

Pesquisei bastante sobre este assunto na internet para encontrar provas mais concretas do que a Igreja pensa sobre o Reiki. Mas, curiosamente, os textos que encontro já são um pouco antigos e bastante divergentes. Enquanto alguns padres, por todo o mundo, criticam veemente o Reiki, outros não lhe reconhecem qualquer problema e até são os próprios a aceitar e praticar, por vezes.

 

Isto faz-me pensar que quando houve o "boom" do Reiki pelo mundo a Igreja viu um problema nisso, mas, agora, não consegue encontrar formas plausíveis de o criticar.

 

O único texto recente, de junho deste ano, que encontrei foi de um comunicado de cinco bispos espanhóis que afirmam que “assistimos a proliferação de novas formas de espiritualidade” e que algumas "variedades de ioga, de zen ou de meditação oriental e outras propostas semelhantes de harmonização entre a meditação cristã e técnicas orientais ‘deverão ser continuamente escolhidas com um discernimento cuidadoso de conteúdos e métodos, a fim de evitar cair em um sincretismo prejudicial’”.

 

Contudo, e a meu ver um pouco contraditório, referem também que “o reiki, o xamanismo, o tarô e a clarividência, ou a nova era e similares são incompatíveis com a autêntica espiritualidade cristã, por isso é necessário distinguir claramente estas realidades de uma experiência cristã genuína”.

 

Pode ler o artigo completo aqui.

 

Em jeito de conclusão, e após pesquisar em diversos sites e blogs, não consigo encontrar qualquer texto decente onde haja fundamentos credíveis que impeçam a prática de Reiki a qualquer pessoa, seja qual for a sua religião. Isso só vem reforçar a minha opinião de que a decisão de experimentar ou praticar Reiki depende de cada um e apenas da sua consciência e que ninguém nos deve impedir de fazermos o que entendemos. Chama-se livre arbítrio.