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A Pequena Reikiana

Um blog de uma reikiana em constante aprendizagem...

A Pequena Reikiana

Um blog de uma reikiana em constante aprendizagem...

A Natureza e a falta que ela nos faz

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Desde que me lembro de ser gente que tenho um fascínio, uma adoração sem explicação pelo mar. Há quem se sinta bem numa floresta, num parque, num campo, mas, para mim, a única altura em que me sinto completa é quando estou junto ao mar. Quando tenho a oportunidade de acordar e a primeira coisa que vejo quando abro a janela é o oceano no seu explendor.

 

Para mim, pessoalmente, não há nada mais calmo e relaxante do que olhar para o mar. Esteja ele calmo ou com ondas gigantes. Basta aquele cheiro característico a água salgada ou o som das ondas que a minha mente e o meu coração acalmam-se quase imediatamente.

 

Mas, desde que fui iniciada no Reiki, sinto ainda mais necessidade deste contacto com a Natureza. É quase uma coisa física que vai aumentando de intensidade até que chega ao ponto em que só passa quando estou junto ao mar. E entendo agora a falta que o contacto com a Natureza, seja ela qual for, nos faz enquanto seres humanos.

 

Vivemos numa sociedade de betão, em que andamos de carro ou de transportes públicos diariamente. Vamos do trabalho para casa agarrados aos telemóveis, chegamos a casa e agarramo-nos aos computadores, tablets ou televisões. Vivemos quase fechados dentro do nosso próprio mundo, numa caixinha, sem dar valor ao que está ao nosso redor. Sem dar valor ao céu azul que nos dá os bons dias todos os dias, sem dar valor às árvores que estão no nosso caminho diário há centenas de anos, sem dar valor ao cheiro característico de cada estação do ano.

 

À medida que vamos evoluindo enquanto Humanidade, estamos a perder, cada vez mais, o contacto com a Natureza. E isso faz-nos mal. Não acredito que seja apenas psciológico que tanta gente se acalme, como eu, ao ver o mar. Não acredito que seja psicológico que muita gente goste e se sinta bem e relaxado a plantar, por exemplo. Não posso acreditar que a ligação que se sente quando se toca numa árvore seja psicológica. Há mais que isso.

 

Desde que entrei no Reiki aprendi várias técnicas de controlo da ansiedade. Claro que as utilizo sempre que preciso, e funcionam, mas não posso negar que várias experiências que tive me deixaram boquiaberta. Quando me disseram que quando me sentisse ansiosa abraçasse uma árvore, achei que não iria resultar comigo. Um dia, estando eu num local público, e não querendo que ninguém se apercebesse, coloquei uma mão numa árvore centenária que ali se encontrava pois sentia-me bastante ansiosa e sabia o que se iria seguir. Mas não custava tentar. Confesso que o que se seguiu não foi nada do que estava à espera.

 

Para minha surpresa, bastou-me colocar a mão na árvore para me conseguir controlar e acalmar mesmo. Foi uma sensação que até hoje não esqueço. Senti-me como se algo de pesado estivesse a sair de mim, como se estivesse a aliviar e a revigorar a minha própria energia. Se nunca experimentaram, aconselho.

 

Claro que com o mar a relação não é de agora, já vem de há muitos anos. Muito antes de saber o que era sequer o Reiki e as energias. Lembro-me que, uma vez, estava na praia e comecei a ter um ataque de ansiedade por causa do calor. Era tudo muito recente e estava ainda a aprender a lidar com as crises. Como ainda não tinha feito a digestão (sim, nessas coisas cumpro à regra) não me podia meter dentro de água, que foi imediatamente o meu primeiro pensamento. Por isso, sem que ninguém desse por nada, afastei-me, cheguei-me mais junto ao mar, sentei-me e ali fiquei a olhar para ele. Bastou isso, bastou aquele momento de atração e de quase sintonia entre a minha respiração e as ondas que rebentavam para me acalmar.

 

Tudo isto, aliado ao que depois fui aprendendo ao longo dos anos e da experiência, me faz acreditar que, realmente, a Natureza faz muita falta a todos nós. Feliz daquele que pode conviver com ela diariamente. Feliz daquele que não vive num ambiente de poluição das grandes cidades e de stress constante. Acredito que não só vivem mais felizes como têm uma qualidade de vida e longevidade muito maiores.

 

Por isso, se puderem, estejam junto da Natureza, nem que seja por uns minutos. Sentem-se na relva, sintam as folhas e as flores, vejam as àrvores e olhem o mar. E depois digam-me se não se sentem revigorados e muito melhores.

A privacidade e a partilha

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Quando criei este blog admito que nunca pensei que chegaria a tanta gente. Foi algo impulsivo, que comecei quase por brincadeira e que nunca pensei que se tornasse numa coisa tão séria na minha vida.

 

Escrever sempre foi uma das minhas paixões, partilhar opiniões também. Conjugando isso, e querendo eu abordar o tema do reiki de uma forma mais pessoal e diferente de tudo o que encontrava na Internet, pareceu-me o passo mais lógico.

 

Mas, à medida que o blog foi crescendo, que os seguidores começaram a aumentar, que as visualizações se mantém numa média mesmo sem colocar textos novos, comecei a entender que realmente isto já não era uma brincadeira e que tinha de ser levado mais a sério porque, da mesma forma que eu senti necessidade de encontrar informações pessoais e diferentes sobre reiki, havia, pelos vistos, mais pessoas na mesma situação. E comecei a sentir o peso dessa responsabilidade.

 

Claro que outros temas, além do reiki, foram surgindo. Era inevitável, princiapalmente porque eu sou uma pessoa de querer saber sempre mais sobre diversos temas, e, sobretudo, porque comecei a entender que há áreas e temas que se encaixam perfeitamente no reiki e neste blog, e que ajudam até a complementar algumas informações. Depois, passei a dar a minha opinião sobre diferentes temas, desabafos, tornei este o meu pequeno cantinho onde falava sobre o que queria ou me sugeriam.

 

Mas, confesso que há dias em que isso me assusta. Porque acho que, por vezes, me estou a expo demasiado e eu sou totalmente o contrário disso. Sou aquela pessoa que gosta de passar despercebida, que não gosta de atenção nem que saibam demasiado sobre mim. E dou por mim a contar situações pessoais, muito pessoais, neste espaço que criei e que é lido por pessoas que desconheço.

 

E isso assusta-me. Há alturas em que penso que não devia ter dito isto ou aquilo, que estou a expor-me demasiado, a ser sujeita a avaliação de pessoas que não me conhecem de todo, apenas sabem o que coloco aqui e interpretam como querem. Expor a nossa vida pessoal e os nossos acontecimentos não é fácil... pelo menos para mim.

 

Mas depois há o reverso da moeda, como em tudo na vida. Há os conhecimentos que fui adquirindo através do blog, as diferentes perspetivas que encontrei e que me fizeram questionar, o facto de ver que há muita gente que pensa como eu e que tem os mesmos receios, dúvidas e filosofias de vida e que, por isso mesmo, procuram este blog. Descobri outras formas de ver as coisas e pessoas fabulosas através deste blog e, acima de tudo, ajudou-me a crescer pessoalmente. 

 

Por isso, colocando numa balança, acredito que o blog me trouxe mais coisas boas que más, e que a exposição, essa, sou eu que a tenho de tentar controlar ao máximo ou aceitar. Ainda é algo que tenho de trabalhar mas sinto que o meu caminho é por aqui. Nunca quis ter um blog para debitar informação. Quero sim tornar este espaço um local de discussão de temas e perspetivas, de opiniões e de partilha de conhecimentos. E espero que continuem a gostar como até aqui.

 

Grata a todos os que me têm dado palavras de incentivo, que têm partilhado as suas opiniões comigo e, principalmente, grata a quem, através deste blog, se tornou quase num amigo.

 

 

"Wild Wild Country": A minha modesta opinião

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Confesso que nunca dei muita importância aos livros de Osho. Via-os nas livrarias mas se peguei nalgum alguma vez não me lembro... É engraçado que, apesar de conhecer o nome, por ver em vários sites e imagens com frases, nunca foi algo que me tenha chamado a atenção.

 

Até recentemente quando, numa das minhas várias pesquisas, me deparei com uma citação de Osho que gostei. Fiz uma imagem com aquela mensagem e coloquei no Facebook mas, ao pesquisar mais citações do mesmo autor, deparei-me com algumas informações que me deixaram curiosa. Numa delas, estava o trailer de um documentário da Netflix, "Wild Wild Country" que, supostamente, contava a história de Osho. Claro que, imediatamente, fui ver a série.

 

Não tendo eu qualquer conhecimento de quem era Osho, tudo para mim foi uma novidade. Confesso que esperava mais da série, principalmente sobre a vida de Osho, como tudo começou, como surgiu o "culto" a esta personalidade na Índia, ou seja, mais sobre a vida dele propriamente dita. Pode ser que numa próxima temporada falem disso... (deixo aqui o pedido...).

 

Porque a série foca principalmente a ida da comunidade que se tinha criado na Índia para os Estados Unidos da América, nos anos 80. Mas sinto que falta muita informação pelo meio que podia ajudar quem, como eu, desconhece a história de Bhagwan Shree Rajneesh, que mais tarde ficou conhecido como Osho, e que pode ficar com uma ideia errada de tudo o que se passou. Sinto que faltam ali muitas explicações.

 

Isto porque ao longo dos episódios, fui tendo sentimentos contraditórios. Se, por vezes, após assistir um episódio, ficava entusiasmada com o que tinha visto e com as ideias apresentadas, à medida que ia vendo mais episódios comecei a ficar "desiludida" com o que via.

 

Na minha modesta opinião e, como já referi, tendo apenas como conhecimento o que vi do documentário da Netflix, Osho foi, ou acabou por se tornar, numa forma de angariar dinheiro. É certo que apesar de ele se assumir como um "guru" e de as pessoas seguirem os seus ensinamentos, conselhos e meditações, ele também se assumia como capitalista e, ao contrário de tantas religiões e filosofias, ele aceitava o dinheiro como algo que era necessário. Mas, para mim, exagerou no necessário...

 

Ter relógios de diamantes, ter cerca de 20 Rolls Royce, viver em grandes mansões com tudo o que de melhor havia, não é propriamente aceitar o dinheiro, mas sim aproveitar-se do dinheiro das milhares de pessoas que o procuravam pelas suas ideias diferentes, pela felicidade e liberdade que a comunidade que criou, tanto na Índia como depois nos EUA, dava às pessoas que se sentiam presas e fartas da sua vida quotidiana.

 

A meu ver, o que começou realmente como algo espiritual e de ajuda ao próximo e de transmissão de uma forma de pensar diferente, tornou-se, rapidamente, num culto e numa máquina de fazer dinheiro. Principalmente porque a maioria das pessoas que o procuravam e seguiam, tinham bastante poder económico, que lhe permitiram fazer o que bem queria e comprar tudo o que desejava, chegando mesmo ao ponto de ele já nem sequer aparecer e a comunidade continuar a crescer...

 

A mim, não me mete confusão a sua filosofia, as suas ideias sobre o amor livre, as suas meditações diferentes e polémicas ou a sua forma de ver a vida. Não me mete confusão nenhuma porque acho que cada um é livre de pensar e de agir da forma que bem entender. O que me mete confusão é perceber que, ele, ou a sua secretária, Ma Anand Sheela - fica difícil de perceber qual dos dois - se aproveitaram de pessoas e do mediatismo que ganharam. E usaram isso das piores maneiras possíveis.

 

Para mim, ficou claro que a comunidade de Rajneeshpuram, criada no estado do Oregon, nos EUA, já não era uma simples comunidade de pessoas, mas sim uma seita. Uma seita que se aproveitou de uma vila pacata e que tentou, das piores formas possíveis, controlar aquela região.

 

Se quem começou a "guerra" entre os sannyasins e a população local foi a própria população? Talvez. Se a população tivesse aceitado de outra forma os sannyasins no Oregon tudo teria sido diferente? Talvez. Nunca saberemos. O que sabemos é que por um incidente, a comunidade tornou-se diferente. Totalmente diferente.

 

Uma comunidade religiosa que é obrigada a usar apenas roupas de certa cor, uma comunidade religiosa que usa armas, e muitas armas, como forma de retaliação, uma comunidade religiosa que usa milhares de sem abrigos para seu benefício próprio, que os droga e que depois, quando já não interessam, os despeja novamente nas ruas, não é para mim uma comunidade religiosa. É algo que vai além de uma seita, é algo que transcende a minha compreensão.

 

Este é um pequeno exemplo do que se passou e não me quero alongar muito para não colocar demasiados spoilers e influenciar a opinião de cada um. Acho que o melhor é mesmo assistir e tirar as próprias conclusões. Mas sinto que é necessário dar a conhecer este documentário porque há muita gente que simplesmente compra os livros de Osho, lê, aceita aquelas ideias e defende-as vivamente, mas não faz a mínima ideia da história que esteve por detrás daquilo tudo, uma parte da história que raramente é contada. E é importante saber de tudo para se poder ter uma opinião formada. Porque nem tudo o que parece é... e isso fica bem claro após ver este documentário.

 

No final, Osho acaba por se virar contra a secretária que o acompanhou e que fez tudo durante anos. Se é verdade que ele não sabia de nada, não sabia dos crimes, dos atentados de homicídio que se passaram dentro e fora da comunidade e de tudo o que ela fez? Duvido. Honestamente, duvido muito. E duvido ainda mais quando Osho, prestes a ser preso, decide fugir dos EUA com meia dúzia de fiéis seguidores, fazendo exatamente o mesmo que criticou dias antes a sua secretária de fazer.

 

É tudo muito confuso, talvez haja informações e detalhes que nunca se saberão concretamente, mas, após ver o documentário, confesso que não fiquei com uma boa ideia de Osho. Se irei comprar algum livro? Talvez não, afinal, para quem está a ir o dinheiro dessas obras?

 

Mas talvez pegue, um dia destes, num livro, e dê uma vista de olhos, porque admito que alguns ensinamentos fazem sentido sim e temos de saber distinguir que todos nós temos um lado positivo e outro menos positivo. Por vezes, o lado menos positivo sobrepõe-se, o que a meu ver aconteceu neste caso por vaidade, mediatismo, egocentrismo e vontade de ter cada vez mais poder económico, e não só, mas é importante ver e não menosprezar o que de bom Osho veio trazer a muita gente.

 

Por isso, aqui vos deixo o meu pequeno comentário e lanço o desafio para que vejam e depois me digam as vossas opiniões sobre o assunto.